A diversidade de compreensão sobre a natureza do uso de drogas reflete a dificuldade para lidar com questões que envolvem dimensões muito amplas da experiência humana.
A toxicomania e outras formas de adição surgem por sua vez, como saídas para aplacar sentimentos vistos como negativos e indignos. Paradoxalmente, essa escolha aumenta o vazio interno, impossibilitando novos investimentos emocionais.
Como diz Joyce McDougall (2002), um dos objetivos do comportamento aditivo é se livrar de afetos, não é um desejo de se fazer mal, mas ao contrário, um desejo de se sentir melhor e de tornar suportável o dia a dia.
Na atualidade, muitos são os autores psicanalíticos que propõe as drogas como mais um objeto de consumo, capaz de proporcionar a obtenção rápida e fácil de prazer.
Freud (1930), previa que o sujeito, frente a sua ¨incompletude fundante¨ e na busca da felicidade perdida, encontraria nas drogas o método eficiente de evitar o sofrimento.
A questão é o preço que se paga por isso, comprometendo a saúde, qualidade de vida e relações, ou seja, se alivia um sofrimento, mas com um custo alto tanto para o sujeito quanto para as pessoas que o cercam.
Quando um acontecimento interno ou externo ultrapassa a nossa capacidade habitual de elaboração, todos nós temos a tendência a comer, beber, comprar, fumar mais que o habitual. Ou tomar medicamentos à procura de um estado provisório de esquecimento. Esses recursos tornam-se problema quando se transformam na única solução que o sujeito dispõe para suportar a dor psíquica.
Quando isso ocorre, embora não seja uma tarefa fácil, é necessário avaliar o lugar que essas questões ocupam na vida da pessoa, e buscar outras formas para lidar com o vazio, e as frustrações que a vida nos apresenta.